Casal jovem calculando economia para entrada de imóvel com papéis e calculadora na mesa

Mercado imobiliário

Entrada do imóvel: quanto juntar e como acelerar a meta

Quanto você precisa de entrada para comprar um imóvel? Veja os percentuais dos bancos, os custos extras que ninguém conta e como chegar à meta mais rápido.

"Preciso juntar R$ 100 mil de entrada para o apartamento de R$ 500 mil." Parece direto, mas tem um erro aí. A entrada do imóvel não é só os 20% que o banco não financia, tem mais uns R$ 20 mil a R$ 35 mil que aparecem no meio do caminho e pegam muita gente de surpresa.

Vamos montar a conta completa.

O que os bancos exigem de entrada

A maioria dos bancos financia entre 70% e 80% do valor de avaliação do imóvel. Isso significa que você precisa de 20% a 30% do valor como entrada, dependendo do banco e do seu perfil de crédito.

Exemplos práticos:

Valor do imóvelFinanciamento máximo (80%)Entrada mínima (20%)
R$ 300.000R$ 240.000R$ 60.000
R$ 500.000R$ 400.000R$ 100.000
R$ 700.000R$ 560.000R$ 140.000
R$ 1.000.000R$ 800.000R$ 200.000

Para imóveis do MCMV nas faixas iniciais, o percentual exigido pode ser menor, às vezes 5% a 10% do valor. Confirme na Caixa Econômica os limites atuais.

Os custos extras que surgem na escritura

Aqui está o que pega a maioria dos compradores de surpresa:

ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis): Em São Paulo, é 3% do valor do imóvel (ou da avaliação, o que for maior). Para um imóvel de R$ 500 mil: R$ 15.000. Em BH, a alíquota é 3% com desconto para primeiros imóveis.

Registro em cartório: Inclui escritura (para imóveis quitados) ou registro da alienação fiduciária (para financiados). Em São Paulo, costuma ficar entre 1% e 1,5% do valor do imóvel.

Avaliação do imóvel pelo banco: De R$ 800 a R$ 2.500, dependendo do banco.

Laudos e vistoria: Variáveis.

Soma-se tudo e você está olhando para 4% a 5% do valor do imóvel só em custos de cartório e impostos, fora a entrada propriamente dita.

Para um imóvel de R$ 500.000: entrada (R$ 100.000) + custos (R$ 22.000 a R$ 25.000) = R$ 122.000 a R$ 125.000 que você precisa ter disponíveis na hora da assinatura.

Chaves de apartamento sobre mesa com pasta de documentos e calculadora ao fundo
A entrada do imóvel inclui o percentual exigido pelo banco mais custos de cartório e ITBI

Como montar a meta real

  1. Defina o valor do imóvel que você quer comprar (ou uma faixa realista).
  2. Some a entrada (20% a 30%) + custos extras (4% a 5%): total de 24% a 35% do valor do imóvel.
  3. Adicione uma reserva de 3 a 6 meses de prestação para os primeiros meses, mudança, eventuais reformas, meses de adaptação.

Um apartamento de R$ 500.000 em Belo Horizonte ou São Paulo pode exigir um total líquido disponível de R$ 130.000 a R$ 175.000 antes de você pegar as chaves.

Estratégias para chegar à meta mais rápido

Conta poupança dedicada ou CDB com liquidez diária: Separe um conta exclusiva para a entrada. Misturar com outras metas dilui o foco. Com Selic elevada, mesmo um CDB de liquidez diária rende mais que a poupança.

LCI com prazo alinhado à meta: Se você sabe que vai comprar em 18 meses, uma LCI de 12 a 18 meses com boa rentabilidade pode acelerar o acúmulo. Veja como LCI e LCA funcionam para entender os prazos.

FGTS: Se você tem anos de carteira assinada, o saldo do FGTS pode compor a entrada. Verifique a elegibilidade com a Caixa, as regras são específicas por tipo de imóvel e faixa de renda.

Negociar condições na planta: Construtoras costumam aceitar parcelamento da entrada durante a obra. Isso permite acumular em parcelas menores ao longo de 18 a 36 meses antes da entrega.

O erro que empurra a meta para longe

Guardar sobras. A meta de entrada precisa ter um aporte mensal fixo, como uma "prestação do imóvel futuro" que você paga para si mesmo agora. Guardar só o que sobra do mês raramente funciona.

Se você quer comprar um imóvel em 3 anos e precisa de R$ 150.000, isso significa poupar R$ 4.200 por mês com rendimento médio. Número viável para muitas famílias, mas só se for intencional.

Perguntas frequentes

Quanto de entrada preciso ter para financiar um imóvel?

Em geral, os bancos financiam até 80% do valor de avaliação, então você precisa de pelo menos 20% de entrada. Mas inclua também os custos de cartório (registro, escritura) e ITBI, que somam mais 4% a 5% do valor do imóvel.

O FGTS pode ser usado como entrada do imóvel?

Sim, desde que o imóvel seja residencial, seja para uso próprio e você tenha pelo menos 3 anos de carteira assinada (contínuos ou não). Verifique na Caixa Econômica as condições específicas, pois os limites de valor do imóvel e renda são atualizados periodicamente.

Quanto custa o ITBI em São Paulo e Belo Horizonte?

Em São Paulo, o ITBI é 3% do valor do imóvel ou de avaliação (o maior). Em Belo Horizonte, também é 3%, com possibilidade de desconto para primeiro imóvel residencial. Confirme os valores vigentes na prefeitura do município.

Vale a pena esperar juntar mais entrada para financiar um valor menor?

Geralmente sim, até certo ponto. Uma entrada maior reduz o saldo financiado e, em alguns bancos, também melhora a taxa. Mas cuidado: esperar demais pode significar perder um bom imóvel ou enfrentar valorização no mercado.

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