Jovem adulto em apartamento moderno e compacto olhando para a janela com cidade ao fundo

Mercado imobiliário

Geração Z e o primeiro imóvel: comprar ou alugar?

Jovens de 20 a 28 anos encaram o dilema com menos certezas e mais variáveis do que as gerações anteriores. Entenda o cálculo real por trás da decisão.

Uma pessoa de 24 anos em São Paulo, com renda de R$ 5.000 líquidos por mês, consegue financiar um imóvel de quanto? A conta rápida pelo teto do comprometimento de renda (30% da renda bruta) dá em torno de R$ 1.500 de prestação — o que financia algo entre R$ 180.000 e R$ 220.000 dependendo da taxa e do prazo. Um estúdio em Tatuapé ou um apartamento pequeno em Santo André, talvez. Num bairro mais central? Quase nada.

Esse é o ponto de partida real da geração Z quando o assunto é imóvel próprio. Não é preguiça, não é falta de ambição — é matemática.

Por que o primeiro imóvel ficou mais difícil para essa geração

A Selic elevada torna o financiamento mais caro. Uma taxa de juros de 10–12% ao ano no crédito imobiliário faz uma diferença brutal no total pago ao longo de 20–30 anos. E os preços dos imóveis nas capitais subiram significativamente na última década sem que a renda média acompanhasse no mesmo ritmo.

Tem mais: a entrada mínima costuma ser de 20% do valor do imóvel (às vezes mais). Para um apartamento de R$ 400.000, isso é R$ 80.000 guardados antes de sentar com o banco — um horizonte de anos para quem está no começo da carreira.

O que pesa a favor do aluguel nessa fase

Flexibilidade real. Quem tem 22–28 anos pode mudar de cidade por trabalho, de bairro por estilo de vida, de tamanho de imóvel porque entrou em uma relação ou terminou. O aluguel permite essa mobilidade sem o custo de vender um imóvel (ITBI, corretagem, imposto sobre ganho de capital se houver).

Capital livre para investir. Dinheiro que não foi para entrada de imóvel pode render na renda fixa, em FIIs ou em outras aplicações. Com a Selic alta, o custo de oportunidade de imobilizar capital num imóvel é considerável. Um consultor financeiro sério diria: compare a taxa do financiamento com o retorno líquido da sua alternativa de investimento.

Sem custo de manutenção. Condomínio, IPTU, eventuais reformas — são despesas do proprietário, não do locatário. No começo da vida financeira, essa previsibilidade de gasto faz diferença.

Jovem estudando contratos de aluguel em mesa com laptop e documentos
Decisão entre comprar e alugar exige análise financeira cuidadosa para a geração Z

O que pesa a favor da compra

Construção de patrimônio. Cada parcela paga amortiza a dívida e aumenta o patrimônio líquido. Aluguel não faz isso — o dinheiro vai para o proprietário e não volta. Para muita gente, a disciplina de "pagar para ter" é um mecanismo psicológico válido de poupança forçada.

Estabilidade e personalização. Você não recebe aviso de rescisão, não precisa pedir permissão para fazer obra, não tem que se mudar de repente porque o dono quer o imóvel de volta.

Eventual valorização. Imóvel em boa localização tende a subir de valor ao longo do tempo, especialmente em São Paulo e Belo Horizonte. Não é garantia, mas é um componente do retorno total.

Mito x verdade da geração Z e imóvel

Mito: "Geração Z não quer ter imóvel." A maioria ainda quer. Pesquisas de comportamento de consumo no Brasil mostram que imóvel próprio continua sendo um objetivo para a maioria dos jovens adultos — o que mudou é o prazo e a estratégia.

Verdade: "Geração Z adia a compra por impossibilidade financeira, não por escolha ideológica." Aluguel virou meio-termo pragmático enquanto o patrimônio e a renda não atingem o nível necessário.

Mito: "Pagar aluguel é jogar dinheiro fora." Depende do que você faz com o dinheiro que não foi para a prestação e para a entrada. Se investe de forma rentável, pode ser mais vantajoso financeiramente do que comprar com taxa de juros alta.

O que a geração Z está, de fato, fazendo

Em São Paulo, o aluguel de studios e compactos movimentou muito nos últimos anos — e não só por jovens. Mas essa faixa etária lidera o perfil de locatário em bairros como Bela Vista, Brooklin e Vila Mariana. Muitos optam por imóveis menores e bem localizados em vez de apartamentos maiores em regiões periféricas.

Outra tendência real: o consórcio imobiliário como alternativa ao financiamento tradicional. Sem juros (mas com taxa de administração), permite construir patrimônio sem comprometer toda a renda — desde que o contemplado apareça quando a situação financeira estiver mais madura.

Quer entender melhor o que o mercado de aluguel oferece? Veja as opções disponíveis em luvihome.com ou consulte os artigos de investimento imobiliário no blog para entender quando comprar faz mais sentido do que alugar.

Outra leitura relevante: por que o aluguel subiu mais que a inflação nas capitais — porque entender o cenário do mercado de locação é parte do cálculo.

Comprar cedo nem sempre é comprar bem. Às vezes, alugar por mais alguns anos enquanto acumula entrada e espera a taxa de juros melhorar é a jogada mais inteligente — mesmo que pareça menos heroica.

Perguntas frequentes

Vale a pena comprar imóvel com menos de 30 anos?

Depende da renda, da entrada disponível, da taxa de juros e dos planos de vida. Se você tem estabilidade, entrada razoável e pretende ficar no mesmo lugar por pelo menos cinco anos, a compra pode fazer sentido. Caso contrário, o aluguel dá mais flexibilidade.

Quanto precisa ter guardado para comprar um imóvel?

Em geral, entre 20% e 30% do valor do imóvel como entrada, mais aproximadamente 4% a 5% para custas (ITBI, registro, cartório). Ou seja, para um imóvel de R$ 400.000, planeje guardar pelo menos R$ 100.000 antes de financiar.

Geração Z prefere alugar ou comprar?

A maioria ainda aspira ao imóvel próprio, mas adia a compra por restrição financeira real — entrada alta, juros elevados e salários que não acompanharam o preço dos imóveis. O aluguel vira solução de médio prazo, não escolha definitiva.

Consórcio imobiliário vale para jovens?

Pode ser uma alternativa ao financiamento, especialmente para quem ainda não tem toda a entrada. Mas exige paciência (pode levar anos para ser contemplado) e análise cuidadosa das taxas de administração e regras do grupo.

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