Studios e compactos dominam os lançamentos para aluguel
Studios e apartamentos compactos lideram lançamentos imobiliários no Brasil. Entenda por que o mercado aposta nesse formato e o que isso significa para o investidor.

Mercado imobiliário
Multipropriedade permite comprar fração de imóvel de lazer. Mas o produto tem armadilhas. Veja o que analisar antes de assinar e quando realmente compensa.
A proposta parece irresistível: comprar um apartamento em Maragogi, Campos do Jordão ou Gramado por R$ 60.000 a R$ 150.000, usá-lo algumas semanas por ano e ainda ter "renda passiva" quando não estiver lá. É o produto de multipropriedade — e ele tem tanto apelo quanto armadilhas.
Em 2021, a Lei 13.777/2018 foi regulamentada com mais clareza, dando base jurídica sólida ao produto. Incorporadoras aceleraram os lançamentos. Feiras de imóveis dedicadas ao tema pipocaram. Mas o entusiasmo do mercado e a análise fria do comprador raramente coincidem.
Você compra uma fração ideal de um imóvel específico (não de um pool genérico). A fração garante um período definido de uso por ano — geralmente de 1 a 4 semanas, dependendo da cota. O restante do tempo, o imóvel é gerenciado pela administradora que distribui receita de aluguel entre os proprietários das diferentes cotas.
Juridicamente, você é proprietário. Pode revender, transmitir por herança, dar em garantia. Não é timeshare no modelo antigo (onde você tinha "direito de uso", não propriedade). Essa distinção importa, mas não muda toda a análise econômica.
Vamos a uma simulação simples (com valores de referência, não garantia de retorno):
O retorno líquido real na maioria dos produtos de multipropriedade fica abaixo de 5% ao ano sobre o valor investido, frequentemente bem abaixo disso. E isso quando a administradora é competente e o destino mantém a demanda.

Sendo direto: como investimento financeiro puro, raramente. Como produto de uso (você quer um lugar certo para suas férias num destino que visita regularmente), pode fazer sentido. Mas nesse caso, compare honestamente com o custo de simplesmente alugar no período que usaria.
Quatro semanas num resort em Gramado custa, em média, R$ 700 a R$ 1.500/noite na alta temporada = R$ 19.600 a R$ 42.000. Se você pagou R$ 100.000 pela cota mais parcelas durante 10 anos, o custo total pode superar o que gastaria só alugando — sem os riscos da inadimplência da administradora, da desvalorização do produto ou das taxas crescentes.
Para quem quer rentabilizar imóvel de temporada com mais controle, uma alternativa é o short stay profissionalizado — onde você tem propriedade integral e gestão delegada. Veja também a análise sobre studios e compactos para investimento se o objetivo é retorno locatício em cidade grande.
Esse ponto é o menos romantizado pelas incorporadoras: multipropriedade revende mal, na maioria dos casos. O produto tem alto custo de distribuição (comissões de 15% a 25% nas vendas), e a revenda não tem esse suporte. Se você comprou por R$ 100.000 e quer sair em 5 anos, provavelmente precisará aceitar R$ 60.000 a R$ 75.000. Confirme com contador e advogado especializado antes de assinar.
Não exatamente. No timeshare clássico, você compra um direito de uso, não a propriedade do imóvel. Na multipropriedade regulamentada pela Lei 13.777/2018, você é coproprietário de uma fração ideal do imóvel — pode revender, herdar e dar em garantia. O produto tem base jurídica mais sólida, mas os cuidados na análise econômica são os mesmos.
Pode gerar, mas raramente no volume prometido nas projeções da incorporadora. O retorno líquido real costuma ficar abaixo de 5% ao ano, após taxas de administração, IPTU e manutenção. Como investimento financeiro, raramente supera alternativas de renda fixa. Como produto de uso com geração de receita parcial, pode fazer sentido.
Em geral não. O mercado secundário de multipropriedade no Brasil é pouco desenvolvido. A revenda costuma acontecer com deságio relevante (20% a 40%) e sem a estrutura de distribuição da incorporadora original. Considere esse ponto antes de comprar.
Para a maioria dos perfis, alugar no período que usaria tem custo menor quando você faz a conta honesta do custo total da multipropriedade (entrada + parcelas + taxas de manutenção por 10 a 20 anos). A multipropriedade pode compensar para quem visita o mesmo destino todo ano e quer a certeza de disponibilidade.
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