Alugar ou comprar em 2026 com juros altos: a conta atualizada
Com a Selic em 14,25% e o m² de SP perto de R$ 11,9 mil, alugar ou comprar mudou de figura em 2026. Veja a conta real e quando cada caminho faz sentido.

Mercado imobiliário
O déficit habitacional passa de 5,7 milhões de moradias e o aluguel é seu maior componente. Entenda por que a demanda por locação é estrutural, não moda.
Quando alguém diz que "o boom do aluguel é passageiro", vale olhar para um número teimoso: o déficit habitacional brasileiro é de cerca de 5,77 milhões de moradias (dado de 2024), e o maior pedaço dele não é falta de casa, é gente pagando aluguel demais. Isso não é ciclo. É estrutura.
Deixa eu separar mito de verdade, porque esse tema costuma ser mal contado.
Verdade: o déficit habitacional não mede quem está na rua. Ele soma quatro componentes: habitação precária, coabitação familiar (mais de uma família no mesmo domicílio), adensamento excessivo em imóvel alugado e, o maior de todos, o ônus excessivo com aluguel.
Esse último item sozinho responde por cerca de 3,24 milhões de domicílios, algo como 52,2% do déficit total. São famílias que comprometem mais de 30% da renda pagando para morar. Não falta imóvel para elas; falta imóvel com custo compatível com o que ganham.
Verdade: o Sudeste concentra a maior parte do déficit, com cerca de 2,43 milhões de domicílios. São Paulo e Belo Horizonte, justamente onde o emprego e os serviços puxam gente, são o epicentro da pressão. O problema mora onde a economia acontece.

Verdade: o juro influencia a compra, mas não faz sumir a demanda por locação. Boa parte de quem aluga por ônus excessivo não tem entrada, não tem margem para financiamento e não vai comprar mesmo com a Selic menor. Além disso, mudanças de vida (trabalho, estudo, separação, obras) mantêm um fluxo constante de gente que precisa alugar por escolha, não só por falta de opção.
Por que a demanda é estrutural, em três frases secas:
O déficit não é um número solto: ele soma quatro situações distintas, e entender o peso de cada uma muda a conversa sobre solução.
| Componente | O que mede | Peso relativo |
|---|---|---|
| Ônus excessivo com aluguel | Gasto acima de 30% da renda | O maior, cerca de 52% |
| Coabitação familiar | Mais de uma família no mesmo domicílio | Relevante |
| Habitação precária | Moradia sem condições mínimas | Menor |
| Adensamento em imóvel alugado | Gente demais por cômodo, alugando | Menor |
Repare que o item que mais pesa, o ônus com aluguel (cerca de 3,24 milhões de domicílios), não se resolve construindo mais casa própria em região distante. Ele se resolve com oferta de moradia de aluguel bem localizada e com custo compatível com a renda, perto de onde estão os empregos.
Três frentes atacam o componente que domina o déficit:
Nenhuma dessas frentes resolve tudo sozinha, mas todas empurram na mesma direção: moradia com custo próximo do que a família ganha, que é o coração do problema.
Para quem tem imóvel, a leitura é direta: existe uma base de demanda que não depende de moda nem de ciclo de juros. Imóvel bem localizado e com custo previsível para o inquilino tende a ter procura consistente. O desafio não é achar quem alugue; é operar bem, com o preço certo, boa seleção de inquilino e prestação de contas transparente.
Para quem aluga, a leitura é de contexto: você não está sozinho nem "atrasado" por não ter comprado. Mais da metade do déficit é gente na sua situação, e o mercado, aos poucos, se organiza para atender melhor esse perfil, com contratos mais flexíveis, garantia sem fiador e locação digital.
Uma demanda estrutural pede oferta profissional. Deixar um imóvel parado ou mal gerido, num país com 3,24 milhões de famílias sufocadas pelo aluguel, é desperdício dos dois lados. Colocar esse imóvel para render com gestão de ponta a ponta, como faz a Luvi, atende quem precisa morar e dá previsibilidade a quem investe.
Se quiser aprofundar o outro lado da moeda, o do bolso de quem paga, veja por que 61% das famílias comprometem mais de 30% da renda com aluguel. E acompanhe mais análises na editoria de mercado.
Números de déficit são estimativas metodológicas e mudam de edição para edição da pesquisa; a ordem de grandeza, porém, se mantém firme há anos.
O déficit habitacional era de cerca de 5,77 milhões de moradias segundo o dado de 2024, o equivalente a aproximadamente 7,4% dos domicílios, o menor da série histórica.
O ônus excessivo com aluguel, que representa cerca de 3,24 milhões de domicílios, ou 52,2% do déficit. São famílias que gastam mais de 30% da renda para morar.
Dificilmente de forma expressiva. Boa parte de quem aluga por ônus excessivo não tem condição de financiar mesmo com juro menor, e mudanças de vida mantêm um fluxo constante de demanda por locação bem localizada.
Porque decorre de fatores permanentes: concentração de emprego nas grandes cidades, renda que não acompanha o preço de comprar e uma vida mais móvel. Isso sustenta a procura por locação independentemente do ciclo econômico.
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